Brasil se torna prioridade para exportações de frutas do México e Chile

O Brasil se destaca como um dos principais mercados para a expansão das exportações de frutas frescas do México e do Chile. Essa avaliação foi apresentada durante um painel na The Brazil Conference & Expo, onde especialistas discutiram o setor. O México, que é o terceiro maior exportador mundial de frutas frescas, movimentou US$ 18,12 bilhões em exportações em 2024. Atualmente, 91% desse volume tem como destino os Estados Unidos. Com a redução das importações norte-americanas, o país busca diversificar seus mercados, colocando o Brasil entre os parceiros mais promissores.

Rubéns Ramirez, country manager da International Fresh Produce Association (IFPA) no México, destacou que o Brasil é um mercado complementar. “O México é forte, mas vulnerável por concentrar suas exportações nos Estados Unidos. Estamos buscando ampliar nossa presença no Oriente Médio, Índia, Ásia e também no Brasil”, afirmou. Ele mencionou o crescimento da demanda brasileira por produtos mexicanos, como o abacate Hass, cujo consumo no Brasil dobrou nos últimos cinco anos.

Contexto de mercado

O Chile também vê o Brasil como uma chance para aumentar sua presença na América do Sul. O país, que possui cerca de 17 mil unidades produtoras, exportou US$ 7,6 bilhões em frutas frescas até maio de 2026. As principais frutas exportadas são cerejas, maçãs e peras. Ivan Correa, country manager da IFPA no Chile, ressaltou que, embora a participação do Brasil nas exportações chilenas ainda seja modesta, o potencial de crescimento é grande. “Precisamos avançar em questões fitossanitárias e digitalização dos processos de certificação”, destacou Correa.

Análise

A busca por uma alimentação mais saudável tem mudado o comportamento do consumidor. A categoria de frutas, flores, legumes e verduras (FFLV) se reposiciona como importante no varejo alimentar. Durante o painel da IFPA, foi enfatizado que o FFLV encanta o consumidor logo na entrada da loja, simbolizando saúde, qualidade e frescor. O gerente comercial do Roldão Atacadista, Paulo Everton de Oliveira, mencionou que o hortifruti deve oferecer qualidade a preços acessíveis, reforçando seu papel na promoção da saúde.

Além disso, o aumento da informação sobre alimentação saudável tem levado mais pessoas a consumir frutas e hortaliças, enquanto os alimentos ultraprocessados perdem espaço. Marcel Hirol, do Sam's Club, observou uma crescente demanda por produtos prontos para consumo, como saladas embaladas, que combinam praticidade e qualidade.

Impacto para o produtor

Para os produtores rurais brasileiros, essa abertura de mercado representa uma chance de diversificação e aumento de receita. Com o Brasil se tornando um destino mais atrativo para as frutas do México e Chile, os produtores devem se preparar para atender a essa demanda crescente. Isso inclui investir em qualidade, processos fitossanitários e, possivelmente, na digitalização de suas operações.

A colaboração com os países vizinhos pode trazer inovações e melhorias na cadeia produtiva. Isso também pode estimular o desenvolvimento de novos produtos que atendam às preferências do consumidor.

Perspectivas

As perspectivas para o setor de frutas frescas no Brasil são promissoras. Com a crescente demanda por produtos saudáveis e a diversificação das exportações do México e do Chile, o Brasil tem a oportunidade de fortalecer sua posição no mercado internacional. É um momento importante para que os produtores se adaptem às novas exigências do mercado, aproveitando o potencial de crescimento e as novas oportunidades que surgem. A participação em eventos como a The Brazil Conference & Expo é uma chance para que os produtores se atualizem sobre tendências e inovações, garantindo um futuro mais lucrativo para o setor.