Déficit de milho em Santa Catarina e a nova rota logística

Santa Catarina demanda cerca de 8,5 milhões de toneladas de milho por ano. Esse volume é essencial para abastecer as cadeias de aves, suínos, leite e ovos. Contudo, a produção estadual não chega a 3 milhões de toneladas. Isso força as indústrias a buscar o grão em outras regiões do Brasil e até no exterior. Recentemente, essa questão foi debatida em uma missão ao Paraguai, liderada pelo governador Jorginho Mello, que buscou alternativas logísticas para conectar os dois mercados.

Contexto de mercado

A dependência de milho de outras regiões, como o Centro-Oeste, representa um desafio para as agroindústrias catarinenses. O milho que chega ao estado percorre mais de mil quilômetros, encarecendo o produto devido aos custos de transporte, armazenagem e operação. Dados da Faesc mostram que a diferença entre a oferta e a demanda de milho em Santa Catarina está em torno de 6 milhões de toneladas. Essa situação pressiona os custos e afeta a competitividade do setor agroindustrial.

João Victor da Silva, economista da Orsitec, observa que essas despesas funcionam como um “imposto invisível” que encarece o preço final de produtos como frango, ovos e leite, corroendo a margem do produtor.

Análise

O Paraguai se apresenta como uma alternativa viável para o abastecimento de milho, devido à proximidade geográfica e à possibilidade de reduzir distâncias. Em 2025, o milho paraguaio representou 15,2% das importações de Santa Catarina, totalizando US$ 70,5 milhões. Para que essa alternativa se concretize, é necessário melhorar as conexões rodoviárias, as travessias e as estruturas aduaneiras, permitindo um fluxo mais eficiente de produtos.

A relação comercial entre Santa Catarina e o Paraguai tem crescido. As exportações catarinenses para o país vizinho alcançaram US$ 445,1 milhões em 2025. Apesar do avanço, a infraestrutura atual ainda não aproveita plenamente essa proximidade. João Victor enfatiza que “o que separa não é barreira comercial, é infraestrutura”.

Impacto para o produtor

Para o produtor rural, a melhoria da logística pode trazer benefícios significativos. A diversificação de fornecedores e a redução da dependência de longas distâncias podem aumentar a regularidade do abastecimento de milho e diminuir os custos de transporte. Embora a necessidade de milho produzido em outras regiões ainda permaneça, a integração com o Paraguai pode oferecer uma alternativa mais econômica e eficiente.

Além disso, o potencial dos portos catarinenses para movimentar cargas paraguaias abre novas possibilidades de negócios. Isso beneficia não apenas os produtores, mas também transportadoras e operadores logísticos. A infraestrutura portuária de Santa Catarina é robusta e já movimenta uma quantidade significativa de contêineres, facilitando a entrada de produtos paraguaios no mercado internacional.

Perspectivas

A viabilidade desse novo corredor logístico depende de um esforço conjunto para melhorar a infraestrutura. Isso inclui acessos rodoviários e capacidade aduaneira, além de protocolos que agilizem o transporte. A atuação do poder público é importante, mas deve focar em criar condições favoráveis sem escolher campeões de mercado.

Se essas melhorias forem implementadas, Santa Catarina poderá não apenas reduzir seu déficit de milho, mas também fortalecer sua posição no comércio internacional. A integração com o Paraguai pode ser a chave para um futuro mais competitivo e sustentável para a agroindústria catarinense.