Fêmeas superprecoces a pasto: eficiência e sustentabilidade na pecuária

A pecuária brasileira enfrenta um desafio: produzir mais bezerros sem expandir as áreas de pastagem. A solução está na adoção de fêmeas superprecoces, que entram em reprodução entre 12 e 14 meses. Essa estratégia aumenta a eficiência reprodutiva e reduz a pressão por novas áreas, contribuindo para a sustentabilidade do setor. A parceria entre a Trouw Nutrition e a Colpar Participações SA exemplifica como essa abordagem pode ser implementada com sucesso.

Contexto de mercado

Estima-se que a adoção em larga escala de fêmeas superprecoces poupou cerca de 5 mil hectares que seriam necessários em um modelo tradicional de recria. Com um rebanho de mais de 85 mil animais, a Colpar, atuando em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Mato Grosso, busca dobrar sua produção até 2030. Isso é viável através de nutrição adequada, melhoramento genético e manejo criterioso das pastagens.

No sistema tradicional, as novilhas começam a reproduzir apenas aos 24 ou 36 meses. Isso prolonga o tempo em que permanecem sem produzir bezerros. A Colpar, por outro lado, conseguiu aumentar o número de bezerros por matriz, melhorando a eficiência sem expandir suas áreas de pastagem.

Análise

A experiência da Colpar mostra que a adoção de fêmeas superprecoces vai além de aumentar a produção. Essa prática promove sustentabilidade. O gerente do Núcleo 1 da Colpar, Ângelo Nakagawa, destaca que essa abordagem ajuda a reduzir a pressão por desmatamento e contribui para o sequestro de carbono. Pastagens bem manejadas podem aumentar a absorção de carbono no solo.

Pesquisas indicam que o manejo adequado das pastagens pode elevar o acúmulo de carbono. Em sistemas tradicionais, esse acúmulo é de 0,3 tonelada por hectare ao ano. Em sistemas melhorados, pode chegar a 0,9 tonelada. Essa eficiência melhora a produtividade das pastagens e aumenta a taxa de lotação, permitindo que mais animais sejam mantidos na mesma área.

Impacto para o produtor

Para os produtores rurais, a adoção de fêmeas superprecoces resulta em ganhos significativos. Com taxas de prenhez entre 70% e 75%, mesmo em sistemas exclusivamente a pasto, a Colpar demonstra que é possível melhorar a produtividade sem comprometer a sustentabilidade. A redução na idade média das matrizes e o aumento das exigências nutricionais exigem um planejamento forrageiro mais preciso. Isso resulta em pastagens mais produtivas e maior produção de biomassa.

O investimento em nutrição estratégica é necessário. Novilhas precisam atingir entre 60% e 65% do peso adulto para serem aptas a emprenhar. Isso requer suplementação adequada e manejo cuidadoso das pastagens. Assim, as fêmeas jovens sustentam crescimento, gestação e lactação simultaneamente.

Perspectivas

A intensificação sustentável da pecuária, como demonstrado pela Colpar, é uma estratégia viável para o futuro da pecuária brasileira. Com foco em nutrição, genética, manejo de pastagens e sanidade, é possível elevar a produtividade da cria e minimizar os impactos ambientais.

A continuidade dos estudos em parceria com universidades, como Esalq/USP e Unesp, reforça o compromisso com a inovação e a responsabilidade ambiental. Integrando produtividade, qualidade da carne e menor pegada de carbono, a pecuária pode avançar em escala e eficiência. As fêmeas superprecoces a pasto se mostram, assim, um passo importante rumo a uma pecuária mais responsável e produtiva.