El Niño e os desafios para a semeadura do arroz em Santa Catarina
A aproximação do fenômeno El Niño e sua forte influência climática em Santa Catarina geram preocupações entre agricultores e indústrias. A fase de semeadura do arroz se aproxima, e os riscos são reais. Na palestra promovida pelo Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC) nesta quinta-feira (27), o doutor em agrometeorologia da Epagri, Márcio Sônego, alertou sobre os riscos que este fenômeno pode trazer para a cadeia produtiva da rizicultura.
Contexto de mercado
O El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, já está presente desde maio e deve continuar até maio de 2027. Historicamente, esse fenômeno provoca chuvas acima da média na Região Sul do Brasil, especialmente entre outubro e dezembro, período crítico para a semeadura do arroz. Walmir Rampinelli, presidente do SindArroz-SC, destacou que essa situação gera incertezas e exige planejamento cuidadoso para minimizar os riscos.
Análise
Durante a palestra, Sônego ressaltou que a intensificação do El Niño pode resultar em chuvas frequentes, veranicos e alta umidade. Isso pode atrasar o preparo do solo e a semeadura. “As chuvas intensas durante a primavera podem prejudicar a cadeia produtiva do arroz se os produtores e as indústrias não estiverem preparadas”, alertou o especialista. Desde 1984, quando ocorreu uma grande enchente no estado, o fenômeno tem se tornado mais frequente, exigindo atenção redobrada dos agricultores.
A dificuldade em entrar com maquinário em solo encharcado e a baixa luminosidade podem comprometer o desenvolvimento das lavouras. Portanto, os produtores precisam estar cientes das características do El Niño e de como elas podem impactar suas atividades agrícolas.
Impacto para o produtor
Os impactos do El Niño na rizicultura são diretos e podem acarretar prejuízos significativos. Além do atraso na semeadura, a umidade excessiva pode favorecer o surgimento de doenças nas plantas. Isso aumenta a necessidade de tratamentos e cuidados adicionais. Para pequenos e médios produtores, que já enfrentam dificuldades financeiras, esses desafios podem ser ainda mais complicados.
Rampinelli enfatizou a importância de fornecer informações precisas aos associados. Isso ajuda a evitar a desinformação e permite que os produtores se preparem adequadamente para os impactos climáticos. Medidas de planejamento, como a escolha de variedades de arroz mais resistentes e o monitoramento constante das condições climáticas, são essenciais para mitigar os efeitos adversos.
Perspectivas
Com o El Niño se aproximando de seu pico, as condições climáticas devem continuar desafiadoras. O SindArroz-SC, durante sua assembleia anual, discutiu iniciativas para fortalecer o setor e prepará-lo para a 9ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz de Santa Catarina, que ocorrerá em janeiro de 2027. A colaboração entre produtores e indústrias será decisiva para enfrentar os desafios impostos por esse fenômeno climático e garantir a continuidade da rizicultura no estado.
Os agricultores devem se manter informados e adotar estratégias adequadas para lidar com as incertezas que o El Niño pode trazer. O conhecimento é uma ferramenta poderosa para enfrentar os desafios do clima e proteger as lavouras de arroz em Santa Catarina.